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Transmitância espectral, deformações e aberrações das objetivas
Continuando a abordar a componente ótica da captação em alta definição, vamos agora analisar alguns parâmetros decisivos que afetam a qualidade do sinal obtido e que são levados em conta na nova geração de câmeras digitais HD.
Como dissemos no artigo anterior, ainda que por outras palavras, seja para fotografia, cinema, televisão, ou para qualquer outra aplicação, uma objetiva destina-se a focar uma cena num determinado alvo cujas dimensões são, geralmente, muito menores que as da cena focada, adaptando simultaneamente a luminosidade da cena à sensibilidade desse alvo.
Mas, além da MTF, da focagem e da adaptação das dimensões da cena às do alvo uma objetiva também tem que controlar a relação entre a luz que entra e a luz que sai (o seu rendimento luminoso), garantir uma distribuição tão uniforme quanto possível dessa luminosidade e controlar a fidelidade da escala cromática da luz de saída relativamente à escala cromática da luz de entrada, porque são estas as características determinantes da sua transmitância espectral. Para isso, e no caso específico da televisão, as objetivas devem levar em conta as características óticas dos sistemas desdobradores do feixe luminoso, de cada um dos sensores de imagem e da matriz da câmera para assim se adequar a resposta colorimétrica do conjunto objetiva-câmera às normas a que o sinal de saída de vídeo tem que obedecer.
O parâmetro de transmitância espectral está relacionado com a quantidade de luz que a objetiva transmite, com a distribuição relativa dessa luz por toda a imagem e com a resposta espectral entre o azul e o vermelho (420-700 nm). Tipicamente, a transmitância espectral de uma objetiva para HD é da ordem dos 82±2% entre os 450 e os 660 nm, enquanto a de uma objetiva de SD é de cerca de 65% para os mesmos limites.
A indicação típica da transmitância de uma objetiva é a que relaciona o seu diâmetro de abertura efetiva, D, com a distância focal, f. Esse quociente D/f é denominado "relação de abertura", mas é o seu inverso, o número F (f/D), que, calibrando o diafragma (F-number), exprime o rendimento ótico da objetiva, assumindo que esta, quando totalmente aberta, transmite 100% da luz incidente. Os valores de F constituem uma série geométrica que começa em 1, com os números sucessivos iguais ao anterior multiplicado por 2, correspondendo assim ao inverso da quantidade de luz transmitida pela objetiva (quando F duplica, a luz reduz-se a metade porque o diafragma passa a bloquear 50% da luz). Apesar de nenhuma objetiva, mesmo totalmente aberta, transmitir 100% da luz que nela incide, o número F é uma boa indicação das variações de rendimento luminoso. Mas deve ter-se atenção que o número F pode variar entre fabricantes, ou mesmo entre câmeras de um mesmo fabricante, e será bom utilizar-se um fotômetro adequado quando se fazem comparações.
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