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Cinema 19.02.2009
Enviar este artigo Cinema Digital “Bellini e o Demônio” é filmado com uma HDW F900   A seqüência de “Bellini e a Esfinge”, com Fábio Assunção, fará parte da mostra competitiva da 29ª edição do Fantasporto  

O filme “Bellini e o Demônio”, dirigido por Marcelo Galvão e Theodoro Fontes, com estréia no Brasil prevista para o segundo semestre de 2009, após o Festival do Rio, teve todas as cenas captadas com uma câmera digital Sony HDW F900. O longa fará parte da mostra competitiva da 29ª edição do Fantasporto (Festival Internacional de Cinema do Porto), que vai de 16 de fevereiro a 1º de março. Fábio Assunção, que interpreta o protagonista, deverá comparecer ao evento.


Assunção também atuou no primeiro filme, “Bellini e a Esfinge” (2001), gravado em película e visto por 300 mil pessoas no cinema. O novo filme é baseado no livro homônimo de Tony Belloto e conta com atuações de Marilia Gabriela e Rosane Mulholland. “Bellini e o Demônio” já participou dos festivais de New York e Paris, e no Festival Internacional de Los Angeles, onde Fábio Assunção foi premiado como melhor ator.


A seqüência tem como pano de fundo o exotismo da magia negra e dos cultos afro-brasileiros, e põe em cena novamente o detetive Bellini em busca de um livro ligado a uma série de mortes. Ao longo das investigações, o personagem começa a ter visões assustadoras e se vê perturbado por um poder obscuro. Para contar essa história, foram gastos, até agora, R$ 1.150.000, oriundos da Imagem Filmes, da Ágora Investimentos, da Supergás e da Telecine – ou seja, sem nenhuma subsídio do Governo.


“É um filme de suspense, meio diabólico e com uma trama sobrenatural”, define Theodoro Fontes, também responsável pela produção do longa. Essa foi a primeira experiência de Fontes com o digital. A mudança, segundo ele, se deveu a uma série de fatores. “Quando você é independente, tem que testar. Hoje em dia, você tem um recurso digital muito amplo. A filmagem ficou mais ágil, bem mais móvel. Se você trabalha com película, fica meio preso a um determinado procedimento. No digital, você filma, coloca no computador e fica mais fácil na pós-produção para colorir e mexer. Além disso, película exige mais dinheiro para fazer negativo”, explica. “O resultado foi maravilhoso”, constata Fontes.


Por várias vezes, o produtor e diretor fez uma pré-montagem e edição no próprio set. Para ele, a olho nu, a diferença é mínima. Na pós-produção, a equipe buscou uma textura mais aproximada da película, para amenizar ainda mais as diferenças. Além disso, as cores foram buscadas na pós-produção com uma função dramática. “Como é um filme muito sobrenatural, com coisas que ninguém vê, ele exige uma colorização que demarque essa visão do personagem”.


A primeira fase da pós foi realizada na Panorama Filmes, do Rio de Janeiro, e a fase final foi feita em São Paulo, por Fontes e Eduardo Queiroz. São Paulo é, aliás, o cenário do filme – uma São Paulo soturna, com cenas no Vale do Anhangabaú, da Granja Viana e de uma escola municipal próxima à Avenida Paulista. A equipe também conseguiu filmar na cobertura do histórico edifício Martinelli, localizado entre as ruas São Bento, São João e Líbero Badaró, no centro da cidade. O prédio, de 30 andares, foi construído ao longo de 5 anos em meio à desconfiança de parte da população, que achava que a obra iria cair. Inaugurado em 1929, era o mais alto da cidade à época. “Foi muito bacana a compreensão das autoridades para ajudar ativamente no processo de filmagem em São Paulo. Não é fácil fechar rua para filmar, mas sempre houve bastante ajuda”, afirma Fontes.


Para viabilizar todo o projeto, a equipe de “Bellini e o Demônio” passou cinco semanas em pré-produção e outras seis em filmagens. “A idéia foi fazer um cinema moderno, sem a obrigatoriedade de uma mensagem”, conta o produtor. Para ele, o cinema nacional tem conseguido, nos últimos anos, criar obras de enfoques mais abrangentes. A única intenção de Bellini e o Demônio, diz ele, é divertir. “Você tem que criar filmes que nem todo mundo faz, principalmente o americano: filme de pastelão, de aventura... O cinema tem que ser aberto a vários segmentos. No Brasil, sempre teve aquela coisa de Nordeste. Ultimamente, tem tido muita coisa relacionada a favela. Mas tem melhorado. O cinema tem que ser livre, de acordo com o gosto. Se você pegar o jornal para comprar o ingresso, tem que ter as opções para escolher aquilo que tem mais interesse e vai se divertir mais”, sustenta.




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