Mercado Eventos Televisão Rádio Alta Definição Pós Produção Apresentação C. Gráfica Transmissão Áudio Cinema Análises
Diretório Calendário Links Úteis Fórum
> Edi. AMÉRICA> Edi. PORTUGAL> Edi. ESPANHA
Cinema 27.02.2009
Enviar este artigo Artigo Futuro vermelho   Primeiro diretor brasileiro a usar a Red One apresenta suas impressões sobre a câmera. Para ele “a qualidade da câmera e as vantagens que o formato traz para o processo de produção são inquestionáveis”.   A nova câmera RED estava ainda em fase de desenvolvimento quando eu primeiro recebi informações a seu respeito em dezembro de 2006. Intrigava-me intensamente a idéia de que uma câmera de cinema digital viesse a abalar a supremacia da película.

Nos meses seguintes, pesquisei o máximo que pude antes de fazer a reserva de compra, o que na verdade representava uma espécie de depósito percentual do valor do equipamento, e que me garantiria receber a 1040a câmera fabricada.
Aguardei mais de um ano para receber a câmera e, durante esse período de espera, me informava dos avances técnicos de produção pelo fórum de internet criado pelos próprios diretores da empresa (www.reduser.com). Nesse espaço virtual, inúmeras questões e sugestões eram levantadas pelos reservistas e, para minha surpresa, eram rapidamente respondidas atenciosamente e incorporadas pela equipe de engenheiros e empresários responsáveis.

Alguns renomados cineastas receberam protótipos da câmera para realizarem seus filmes enquanto testavam o equipamento. O primeiro deles foi o diretor Peter Jackson (Senhor dos Anéis e King Kong), que utilizou a câmera para realizar o curta metragem “Crossing the Line” na Nova Zelândia. O trailer do curta foi rapidamente colocado no fórum de Internet da RED para o deleite dos futuros donos da câmera. A qualidade cinematográfica era mesmo surpreendente, se assemelhava muito à qualidade da película, não havia resquícios do formato de vídeo nas imagens, era o verdadeiro cinema digital.

O que faz com que a imagem dessa câmera seja tão cinematográfica? A primeira qualidade é o tamanho de cada quadro (ou frame): 4K de informação, aproximadamente 4 vezes maior que um quadro de HD. A segunda característica é o fato de que se usa lentes ‘primes’ de cinema, ou seja, quando se compra uma câmera RED, compra-se o corpo da câmera e seus acessórios. As lentes usadas podem ser desde simples lentes de câmera fotográficas às mais perfeitas ópticas cinematográficas para 35mm (Cooke, Zeiss). Um terceiro fator que define a qualidade da RED é que o negativo digital captado pela câmera é em formato ‘RAW’ (o mesmo utilizado em câmeras digitais de fotografia profissional), o que possibilita uma enorme flexibilidade de manipulação em pós-produção.

Meses após a pequena produção de Jackson, o diretor Steven Soderberg (Onze Homens e Um Segredo, Traffic, entre outros) decidiu embarcar nas experiências da RED de cabeça. Ele recebeu duas câmeras para rodar “Che”. Isso foi uma aposta e tanto, considerando que as câmeras ainda não se encontravam em um estágio final de produção e o projeto “Che” tinha um forte caráter comercial. A aposta na inovadora câmera lhe rendeu grande repercussão, o filme foi lançado com muito sucesso no último Festival de Cannes com direito a prêmio de melhor ator para Benicio Del Toro. Daí em diante, uma multidão passou a se interessar pela câmera.

Eu seguia aguardando ansioso a chegada da minha câmera. Já havia escrito um roteiro de curta escrito e apenas esperava receber a RED para rodá-lo, o que finalmente veio a acontecer em abril de 2008. A produção do curta “UM” foi imediatamente iniciada em Nova York, onde vivi uma temporada. Foram três dias de filmagens, nos quais a câmera portou-se de forma espetacular. As pessoas paravam na rua para espiar a RED em ação.

A principal lição que a câmera deu a mim e ao fotógrafo David Barkan (brasileiro radicado em Nova York) foi a seguinte: a RED tem que ser tratada como uma câmera de película. A iluminação deve ser feita com os mesmos cuidados e requintes. A RED não faz mágica e, sim, oferece uma nova forma de se pintar com a luz, criando um cinema comparado a produção em 35mm.
Logo após o término da produção de “UM” em maio de 2008, cheguei ao Rio com a RED. O Roberto Faissal (da Cinemar), que já havia entrado nessa aventura como meu sócio, e eu havíamos decidido participar da semana do ABC apresentando a câmera para o mercado brasileiro. Além de apresentarmos a câmera e seus acessórios, apresentamos também planos finalizados do curta que eu havia rodado semana antes.

A câmera atraiu muito interesse e despertou a curiosidade de diversos produtores, fotógrafos e diretores, todos impressionados com a qualidade da imagem e a praticidade do processo de pós-produção. Em seguida à semana ABC, a câmera foi para São Paulo para rodar o primeiro longa metragem no Brasil, “Condomínio Jaqueline”, dirigido por Roberto Moreira, com produção de Geórgia Costa Araujo e fotografia de Marcelo Trotta. Depois, já de volta ao Rio, rodou diversos comerciais produzidos por grandes produtoras como a HungryMan e a Conspiração Filmes, entre outras.

Durante esse período inicial da RED no Brasil, eu consegui finalizar a cópia off-line do meu filme para inscrevê-lo no Festival do Rio, que aconteceria em Setembro. No mês de Agosto, recebi a confirmação de que participaria do Festival, o que me trouxe uma enorme ansiedade, uma mistura de felicidade pela estréia no Rio e um medo enorme de exibir o filme em um formato não tão familiar para o cinema, que é o digital.

Com a supervisão de Bernardo Varela, que já possuía experiência anterior com o formato de projeção digital via RAIN Network, iniciamos uma série de testes. Um fator que agravava minhas preocupações era que o meu filme foi feito para ser exibido em cinemascope e não no formato digital standard (16X9). Depois de inúmeros testes e estudos, chegamos a uma cópia final. Com o arquivo RAIN em mãos, fui ao CineOdeon, onde aconteceria a mostra competitiva do Festival do Rio, para testar com o projecionista. A primeira informação que recebi, ao chegar, foi de que não seria possível apresentar o filme em cinemascope, mas depois de conversas e testes vimos que tudo estava dentro dos conformes e a qualidade técnica da projeção foi surpreendente. As características da projeção eram muito similares às de 35mm. O único elemento inexistente são os grãos próprios da película.

Todo o processo de produção e pós-produção do meu filme serviu para reforçar as vantagens do cinema digital. A economia por não comprar negativos, revelar, ou telecinar foi significativa e o resultado final foi realmente além das expectativas. O curta “Um” teve sua estréia internacional em janeiro de 2009 no Festival Internacional de Rotterdam.

Muitas novidades já foram anunciadas pela RED para o ano de 2009: o lançamento da EPIC, uma câmera com capacidade de resolução (6K) ainda maior que a RED, e da SCARLET, uma câmera de bolso que rodará em 3K. Em todo o mundo, tanto no Brasil quanto em Hollywood, a comunidade cinematográfica segue com a produção de diversos projetos com a RED: a super-produção hollywoodiana “Knowing” estrelando Nicolas Cage, a série de televisão “Som e Fúria” (produção O2 e direção de Fernando Meirelles), o novo longa “Tempo de Paz” de Daniel Filho, e o novo projeto “Anticristo” do polêmico diretor dinamarquês Lars Von Trier.

A qualidade da câmera e as vantagens que o formato traz para o processo de produção são inquestionáveis. Para o cinema, o futuro é vermelho!


- Ricardo Mehedff é diretor, produtor e montador. Formado em Cinema pela George Washington University, seus filmes participaram de mais de 80 festivais no Brasil e no exterior, incluindo os festivais de Roterdã, Berlim, Oberhausen, Nova York, Los Angeles, Havana, Guadalajara, Rio e São Paulo. Atualmente, prepara a filmagem de "Posto 4", seu primeiro longa como diretor.

www.ricardomehedff.com
www.vfilmes.com



Partilhar:
|
 
 
+ Cinema
Christie supera os 12 mil projetores digitais vendidos
Chamada Pública Prodecine 01/2009 pré-seleciona 50 projetos. Prazo para interposição de recursos vai até 09/08
Karaté Kid em 4K
Aumenta número de espectadores nas salas de cinema
Inscrições para workshop sobre coprodução na França vão até 27 de agosto
Governo dará linhas de créditos para complexos de exibição
Inscrições abertas para festival de curtas do AXN
BNDES abre Seleção Pública de Projetos Cinematográficos
Edital milionário
Arri é novamente reconhecida pela Academia de Cinema de Hollywood
Lentes Fujinon em Avatar
Dez curtas de animação seguem na corrida pelo Oscar
Workshops de fotografia para cinema e HD
Tela para quem não tem
Primeiros passos da Red no Brasil
Impulso à primeira solução comercial 4K em 3D
+ Visitados
Eventos
Bons motivos para estar em Amsterdã de 9 a 14 de Setembro
Televisão
Luminárias LED na TV Vanguarda
Eventos
VÍDEO: Cinema 3D e 4K
 
 
  Revista Produção Profissional editada por Editorial Bolina Brasil Ltda.

GRUPO EDITORIAL BOLINA
BRASIL - Produção Profissional - Produção Áudio - Elektor - Mundo Da Óptica - Nursing - Dentistry Brasil - AssineBolina - Integração Profissional - Smart Energy - Gestão e Tecnologia Hospitalar
ESPAÑA - Producción Profesional - Producción Audio - Mundo De La Optica - Instalación Profesional
PORTUGAL - Produção Profissional - Produção Áudio - Elektor - Channel-Partner - Mundo Da Óptica - Dentistry - Instalação Profissional
AMÉRICA LATINA - Producción Profesional - AmericaProAudio

©2010. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial sem a permissão prévia, por escrito, da Editorial Bolina Brasil - AVISO LEGAL - Grupo Editorial Bolina.
Fale Conosco - Contact Us
 
LeadWide Consulting

© 2010 Editorial Bolina