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Avid vende divisões de consumo áudio e vídeo
03/07/2012 - Mercado
Numa sucessão de comunicados bem distintos -– justificados pelo fato de uma das empresas estar cotada na bolsa -– a Avid confirma a venda das suas divisões mais orientadas para o mercado de consumo.
Referência mundial em soluções de criação, gerenciamento e distribuição de mídia digital, a Avid iniciou uma série de ações estratégicas focadas nos mercados de empresas de mídia e áudio e vídeo profissionais. Como parte dessa estratégia, a empresa acaba de anunciar a venda de seus negócios voltados ao segmento de varejo (consumer). Com essas mudanças, a Avid se concentrará em mercados onde sua expertise, histórico de inovação tecnológica e marca forte oferecem as melhores oportunidades de sucesso.Já no comunicado da inMusic, um novo grupo propositadamente criado pelo empresário Jack O'Donnell, da Numark Industries, esclarece que se trata da aquisição de todos os produtos de produção musical, teclados e tecnologia para DJ da M-Audio, juntamente com a divisão AIR Software Group, com sede na Alemanha (ex-Wizoo) onde se desenvolvem os plug-ins áudio e instrumentos virtuais para Pro Tools que normalmente acompanham as aplicações da Avid. Já os produtos de vídeo de consumo foram vendidos à Corel.
A notícia era de certa forma previsível, tendo em conta a reestruturação que a atual administração da Avid Technology, liderada por Gary Greenfield, tem implementado. A série de ações estratégicas, anunciadas pela Avid, têm como objetivo manter o foco da empresa nos segmentos de mercado que denominam de Media Enterprise e Post & Professional -– clientes exclusivamente profissionais -– tentando acelerar o desenvolvimento de uma nova geração dessas soluções e melhorar os resultados operacionais da empresa, concentrando recursos nessas áreas estratégicas.
Recorde-se que Gary Greenfield já havia separado a divisão de software de animação Softimage (que vendeu à Autodesk), tendo afirmado por diversas vezes que um dos maiores desafios da sua gestão consistia precisamente na dificuldade em alinhar todos os segmentos de aplicação e mercados onde a Avid estava envolvida.
No comunicado, a Avid esclarece que, como parte das ações seguintes, irá "desinvestir" de todas as áreas de negócio de consumo -– tecnicismo que normalmente significa que "vende" essas unidades de negócio, quando existe comprador, o que é o caso.
"Estas mudanças que anunciamos hoje, tornam a Avid uma empresa mais focada e ágil", afirma Gary Greenfield, actual CEO. "Ao reduzir e simplificar as operações, esperamos conseguir melhorar o nosso desempenho financeiro e aproximarmo-nos mais dos nossos clientes empresariais e profissionais. O nosso objetivo continua sendo oferecer soluções inovadoras a esses clientes, permitindo-lhes criar os conteúdos mais ouvidos, mais vistos e mais apreciados no mundo. Estou pessoalmente entusiasmado em relação às perspectivas futuras".
Venda da M-Audio e AIR Group
A Avid decidiu vender as suas linhas de produtos áudio e vídeo de consumo. Os produtos áudio de consumo foram vendidos ao grupo inMusic, um nome desconhecido porque acaba de ser criado para identificar aquilo que conhecíamos até aqui apenas como Numark Industries, pertencentes ao empresário Jack O'Donnel.
Este é o grupo que comprou recentemente a Akai Professional e a Alto Professional, detendo anteriormente a Alesis e Numark, entre outras marcas bem conhecidas entre músicos e DJs.
Os produtos vendidos pela Avid a Jack O'Donnel são todos os teclados, controladores, interfaces, monitores e colunas de PA e equipamento digital para DJ da anterior M-Audio, juntamente com a divisão AIR Software que produzia plug-ins e instrumentos virtuais para Pro Tools.
Segundo ficou claro no anúncio da empresa, a Avid continuará desenvolvendo e comercializando o Pro Tools em toda a linha de software e hardware, retendo da linha da divisão M-Audio as interfaces Mbox e Fast Track.
No entanto, é curioso que nada é dito sobre a Sibelius, a empresa de software de notação musical que a Avid também comprou anteriormente. Provavelmente nada mudará, até porque a tecnologia de notação e transposição MIDI é uma componente essencial à evolução do Pro Tools.
Importante é o fato de Jack O'Donnell também ficar com a AIR Software, tendo em conta que, além de deter a Numark, Akai Professional, Alesis, Alto Professional e ION Audio, o seu grupo (agora denominado inMusic) detém também empresas de software musical como a MixMeister e a Sonivox -– que comprou no início de 2012.
Recordando as palavras de Jack O'Donnell quando foi feita esta aquisição, este dizia que "a Sonivox encaixa perfeitamente na nossa visão de como a música é feita atualmente e de como será a música do futuro. Temos estado sempre na vanguarda da revolução da música em computador, desenvolvendo controladores que se integram de forma transparente com uma enorme variedade de software musical.
A Sonivox acrescenta a nossa capacidade de desenvolver sistemas de hardware e software totalmente integrados. O recente lançamento da nova geração da série MPC com ferramentas de produção musical integradas em hardware e software é um exemplo perfeito de como a extensa biblioteca de sons e a experiência em software da Sonivox nos ajudará a criar propostas de enorme valor para músicos e produtores".
Agora, com a aquisição do AIR Software Group, Jack O'Donnel combina mais uma valiosa equipe de programadores de grande talento para dar sequência a esta visão. Tendo sede na Alemanha, o AIR Software Group começou por ser a Wizoo Sound Design, um dos pioneiros em tecnologia de instrumentos virtuais, notoriamente sintetizadores e samplers em software, tendo sido comprado pela Avid em 2005.
Posteriormente reforçado com outros grandes talentos da área, a equipe AIR tem sido responsável por criar também os plug-ins de efeitos especializados para o Pro Tools. A equipe da AIR tinha em desenvolvimento muitos dos mais importantes instrumentos virtuais que estavam previstos para serem lançados em versões de atualização do Pro Tools até ao final de 2012 -– fato que não se deverá alterar fundamentalmente.
Aliás, em resultado das negociações, a inMusic confirma que a relação com a Avid será mantida e que o AIR Software Group continuará desenvolvendo e mantendo as tecnologias existentes para o Pro Tools, sendo que os produtos atuais da M-Audio que funcionam com a versão MP, do Pro Tools, continuarão sendo suportados. Além disso, alguns produtos da Akai Professional e da Alesis, a partir de agora, serão comercializados em pacotes com Pro Tools, ampliando ainda mais a plataforma de acesso a esta sofisticada aplicação.
Além da AIR Software, Jack O'Donnell volta a recuperar a marca M-Audio -– que por si só tem ainda bastante valor no mercado -– ganhando acesso a algumas excelentes ferramentas na área de home-studio que é o mercado natural das marcas que já detém.
Pode-se dizer que muitos dos produtos da M-Audio estavam a ficar já datados, mas seguramente que nas mãos de uma Alesis, ou Akai, muito será recuperado. E as soluções Torq DJ, da Avid, seguramente serão melhor exploradas nas mãos da Numark. Portanto, poderá ser um excelente negócio para todas as partes envolvidas e sobretudo para os milhões de usuários destes produtos.
É o próprio Jack O'Donnell, dono da inMusic que afirma: "Ao comprarmos o AIR Software Group e a M-Audio, estamos não só ampliando, mas sobretudo aprofundando o nosso compromisso para o futuro da criação e produção musical. Todas as nossas marcas são líderes em tecnologia e se beneficiam de um enorme momento no mercado. Com a adição da AIR e M-Audio, estamos numa posição ainda melhor para ir mais longe nas ferramentas de composição, produção e performance. Naturalmente, tudo isto será muito positivo para os músicos que assim poderão ter melhor software, melhor hardware e o resultado será uma experiência muito mais integrada ao fazerem música".
Segundo Jack O'Donnell também adianta no comunicado, os atuais empregados específicos da M-Audio e AIR Software Group serão integrados em projetos da Akai Professional, Alesis e Numark em muitas áreas-chave, incluindo desenvolvimento, engenharia e distribuição. Segundo afirma, "a sinergia irá potencializar a oferta de produtos e a liderança tecnológica de todas as cinco marcas, dando aos músicos uma variedade de instrumentos sem precedentes, tanto em termos de capacidade como de valor".
Aliás, o comunicado confirma que os produtos da M-Audio e do AIR Software Group irão se apresentar junto das restantes marcas da inMusic na feira Summer NAMM Show que inicia dia 12 de julho de 2012, onde serão apresentados novos produtos.
Mais detalhes da Avid
Separadamente, a divisão de produtos de vídeo de consumo -– como interfaces e software para edição não-linear -– foi também vendida para a Corel Corporation, conhecida empresa de software de consumo com sede em Ottawa, no Canadá.
Os produtos integrados nesta transação são o Avid Studio, Pinnacle Studio e a Avid Studio App para iPad, juntamente com uma série enorme de interfaces hardware, todos já tecnologicamente ultrapassados.
Segundo a Avid, estas divisões e segmentos de produto geraram, no seu conjunto, U$ 91 milhões de receitas no âmbito do faturamento total de U$ 677 milhões, obtida pela empresa em 2011. Segundo a Avid também adianta, a venda destas divisões irá gerar aproximadamente U$ 17 milhões de receita.
Apenas por mera curiosidade, quando a Avid comprou a Pinnacle Systems com a intenção de entrar no mercado de vídeo de consumo, foi pago aproximadamente U$ 462 milhões, sendo que a transação foi feita essencialmente por troca de ações da Avid -– que na época valiam U$ 69 cada, sendo que hoje valem U$ 7,7.
As transações agora confirmadas foram finalizadas dia 2 de julho de 2012 (dia do comunicado) e confirmam a transferência de pessoal da Avid relacionado com estas marcas para as novas empresas. Um fato relevante, uma vez que a Avid confirma também a sua intenção de despedir igualmente cerca de 20% dos seus quadros permanentes, no âmbito do plano de reestruturação em curso.
A empresa espera com isso cortar alguns custos, algo entre U$ 19 e 23 milhões, no atual ano fiscal que serão parcialmente amortizados pelas vendas anunciadas.
No primeiro trimestre de 2012, a Avid Technology registrou prejuízos de U$ 9,4 milhões, tendo agravado as suas perdas em relação ao ano anterior, o que ajuda a explicar as ações agora tomadas por Gary Greenfield.


















